Da Neurocirurgia à Ciência do Caráter: A Verdadeira Cura Começa no Sentimento de Gratidão

Koshiro Nishikuni
Neurocirurgião, Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP.

O meu primeiro contato com a moralogia foi aos 24 anos de idade, no curso intensivo realizado no Centro de Educação Vitalícia de Itapeti, Mogi das Cruzes, em 1985. Aqui tomei conhecimento dos ensinamentos dos Grandes Mestres da Humanidade – Jesus Cristo, Buda, Confúcio e Sócrates – base das pesquisas do fundador da Moralogia, Chikuro Hiroike, demonstrando que as práticas morais promovem o aperfeiçoamento do caráter, resultando na conquista de uma verdadeira e duradoura felicidade.

Inspirei-me muito na história descrita num livro “A vida do Hideyo Noguchi11 e a sua mãe.” Para se tornar médico, Noguchi dedicou sua vida ao trabalho e realizou grandes pesquisas científicas sempre com sentimento de gratidão à sua mãe e aos professores, e com o espírito de retribuir em prol de benefícios à humanidade. Com esse gesto os méritos e os reconhecimentos pela sociedade surgiram naturalmente.

Eu estou almejando também tudo isso, mas onde estará o meu sentimento de gratidão e de retribuição? Ao entender o propósito com que Noguchi fez tudo isto, percebi o quanto eu precisaria melhorar.

“Realize a nobreza divina e a nobreza humana a acompanhará”. Esta é a frase de Mêncio. Quero trabalhar seguindo estes princípios, me esforçar em servir ao próximo, com amor, bondade e humildade, colocando-se sempre na situação dos outros. Confesso que não é fácil, pois muitas vezes os sentimentos de ganância, arrogância, orgulho, falsa modéstia, ira, frustração, dentre outros, acabam predominando. Para aprender a controlar esses sentimentos – sementes de infelicidade – encontro os caminhos na moralogia e procuro praticar seus ensinamentos.

Convivendo diariamente com pessoas enfermas, concluo que “as pessoas mais espiritualizadas” possuem melhor grau de aceitação da doença. Percebo que essas pessoas “encaram” a doença de uma forma diferente. Para elas, a doença surgira como uma oportunidade para o crescimento interior.

Observando tudo isso eu quero me esforçar para fazer das minhas dificuldades o momento para a reflexão da minha atitude mental, mudar a forma de pensar e de agir, e buscar o verdadeiro significado da vida. Mais tarde, poderei reconhecer que graças às dificuldades enfrentadas a minha vida ganhou novos horizontes.

Saber não é o mesmo que ser. É preciso praticar, e sei que isto demanda muito trabalho, iniciativa e coragem. Por isso eu acho que moralogia é um estudo para toda a minha vida. Agradeço a todos que voluntariamente atuam na divulgação deste ensinamento. Muito Obrigado.


  1. Hideyo Noguchi (1876 – 1928, Japão), médico bacterologista japonês. Filho mais velho da família de um agricultor extremamente pobre, quando tinha 1 ano e meio de idade, caiu numa espécie de lareira da casa e sofreu uma grave queimadura em sua mão esquerda, ficando com todos os dedos da mão grudados. Sua mãe sentiu que ele não poderia ser agricultor e que a saída seria fazer com que ele seguisse o caminho do saber. Embora muito pobre, com muito esforço fez com que o menino freqüentasse a escola primária. Aos 16 anos passou por uma cirurgia na mão esquerda. Desde então, passou a idealizar o sonho de ser médico. Devido às dificuldades da mão esquerda, Noguchi foi trabalhar como auxiliar no laboratório de pesquisa de doenças contagiosas de Kitazato Shibazaburo, o que o fez seguir o caminho de pesquisador de bactérias. Aos 25 anos, quando da visita ao Japão do dr. Freskner, professor da Universidade de Pensilvania, Noguchi atuou como intérprete e convidado a trabalhar como auxiliar do professor. Noguchi pesquisou as cobras venenosas e após estudar em Dinamarca, onde realizou pesquisas sobre soro, foi contratado em 1904 pelo laboratório de medicina Rockfeller. Em 1907 recebeu da Universidade de Pensilvania o título honorífico de Master of Science. Em 1911 obteve sucesso na cultura pura da espiroqueta de sífilis. Em 1914, obteve o título de doutor pela Universidade Imperial de Tóquio. Em 1918 foi a Equador e em 1923 veio ao Brasil. Em 1927 foi para Acra, oeste africano, para pesquisar a febre amarela. Em 1928 foi contagiado e morreu naquele país. No seu sepulcro, em Nova Iorque, está gravada a seguinte frase: “Through devotion to science, he lived and died for humanity” (Pela devoção à ciência, ele viveu e morreu pela humanidade). ↩︎

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A prática dos princípios moralogianos começa com uma escolha consciente: a decisão de cultivar a nobreza de caráter e integrar a benevolência, a gratidão e a responsabilidade no seu dia a dia.

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Placa de madeira com as inscrições em japonês: Pratique a nobreza divina e a nobreza humana naturalmente o acompanhará.

"Pratique a nobreza divina e a nobreza humana naturalmente o acompanhará."
- Chikuro Hiroike